Yamaha Musical do Brasil
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Notícias - César Camargo Mariano

No ultimo dia 12 de junho, o pianista, arranjador, compositor e produtor César Camargo Mariano visitou o escritório da Yamaha Musical do Brasil em São Paulo.

Dono de uma brilhante carreira no exterior, o genial músico que há anos reside nos Estados Unidos concedeu uma rápida entrevista para nosso site. Acompanhe abaixo trechos deste descontraído bate papo com um dos maiores arranjadores brasileiros de todos os tempos.


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Confira a entrevista com César Camargo Mariano!

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Yamaha Musical: De uns anos para cá, houve um redescobrimento dos famosos trios de bossa nova/jazz dos anos 60. Como você se sente ao saber que grupos dos quais você participou como Sambalanço e Som Três estão despertando tanto interesse em jovens músicos?
Até eu estou revivendo estes trios. O movimento da bossa nova começou entre músicos que sentiam uma necessidade de modernizar a música brasileira. Éramos muito jovens e a informação que tínhamos era dos trios instrumentais de jazz.

César C. Mariano: Quando tentávamos tocar algo mais tradicional da música brasileira como Pixinguinha e Lamartine Babo ou Noel Rosa, naquele formato de trios de jazz o resultado ficava muito interessante. Aos poucos começamos a compor temas neste formato entre o jazz e o samba. Os trios foram uma grande base para o desenvolvimento da música brasileira. Com o Sambalanço gravei cinco discos e com o Som Três foram mais seis ou sete, todos instrumentais.

Quase cinqüenta anos depois estes trabalhos caíram na mão de produtores na Inglaterra e na França. Na Europa existem rádios especializadas em lounge music que estão tocando remixes destes trios brasileiros. Outro dia em Londres um amigo DJ me levou numa boate onde estava tocando um tema meu que gravei com o Som Três chamados “Futebol de Bar” e a pista estava fervendo (risos).

Lá fora, todos estão de olho neste formato de trio, não o de jazz que influenciou a gente, mas justamente no de bossa nova. Neste ano estou envolvido num projeto com um trio de piano, baixo acústico e bateria.


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Yamaha Musical: Além dos trios, sua carreira também é marcada por duos com músicos fantásticos. Ao mesmo tempo você também desenvolve um trabalho como pianista solo. Existe algum formato que lhe agrada mais?

César C. Mariano: Cada um deles tem seu encanto, seu momento especial e sua importância. Tenho uma certa queda pelo desafio que trabalhar em dupla oferece. Apenas duas pessoas, e ai independe o instrumento, trabalhando juntas num mesmo projeto tem que ter uma empatia pessoal muito grande. Fora isso deve existir uma sintonia musical. Todos os trabalhos de duos que fiz tinham isso e mais uma grande amizade pelo parceiro.

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Yamaha Musical: Alias, uma parceria sua com o guitarrista Helio Delmiro rendeu um maravilhoso disco em 1981, batizado de Samambaia, que virou cult entre os instrumentistas brasileiros...

César C. Mariano: Fico muito contente com isso e acredito que o Hélio também, pois nenhum de nós tinha qualquer expectativa em relação a este trabalho. Na verdade tinha que cumprir um contrato com minha gravadora na época. Como trabalhávamos juntos no quarteto que acompanhava a Elis, sempre tocávamos nos ensaios alguns temas de maneira despretensiosa.

Na época, minha vida estava muito corrida e liguei para ele numa tarde e no dia seguinte estávamos no estúdio. Gravamos o disco em seis ou sete horas. A sintonia entre nós era muito grande, eu pensava em alguma coisa e ele já captava e vice-versa. Tanto que o tema que deu nome ao disco, compus na noite anterior à que gravamos. No estúdio, à medida que ia mostrando, ele já ia tocando. Na segunda passada o técnico de som gravou o que esta no disco. Alias, no trabalho com a Elis, eu, o Helio, o Luizão (Maia) e o Paulinho Braga nunca precisamos escrever muitos os arranjos, pois tínhamos um grande entrosamento.


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Yamaha Musical: O Nenê Bevenutti dos Incríveis (famosa banda dos anos 60), revelou uma vez em entrevista que você alem de ser o melhor músico com quem ele trabalhou é também um grande psicólogo, pois levou apenas alguns minutos para convencê-lo que ele, um músico de rock, poderia perfeitamente tocar samba na banda que você montou para acompanhar a Elis Regina...

César C. Mariano: (Risos) Conheci o Nenê nos anos 60 quando tocava numa boate chamada Lancaster. Eu tocava jazz revezando com um grupo de rock que se chamava Clevers que depois mudou o nome para Os Incríveis. Acabamos ficando muito amigos. Depois do Falso Brilhante (famoso álbum de Elis Regina de 1976) quis mudar um pouco o som da banda e lembrei dele. O convidei mas ele ficou receoso e veio com o papo: “pô César, não sei tocar samba”. Retruquei que todo bom músico poderia tocar tudo, era só uma questão de colocar a mão que a coisa iria acontecer. Acabamos tocando durante muito tempo e foi uma delícia.

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Yamaha Musical: Você foi um dos primeiros tecladistas brasileiros a investir no uso de sintetizadores. Como anda sua relação com a tecnologia?

César C. Mariano: Atualmente meu nome é César “Chip” Camargo Mariano (risos). Tenho um estúdio nos Estados Unidos que é cheio de teclados, computadores, programas etc. Como produtor, arranjador, e compositor de trilhas para cinema e TV preciso estar a par das novidades tecnológicas.

Alias, minha primeira gravação profissional foi num disco da Claudete Soares, eu toquei quatro faixas num órgão, que não é sintetizador, mas é um instrumento eletrônico. Sempre estive envolvido com instrumentos eletrônicos.


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Yamaha Musical: Por falar em sintetizadores, o álbum Prisma de 1985 também foi um disco que marcou bastante sua carreira...

César C. Mariano: Foi uma curtição não só em termos musicais, diga-se de passagem. O desafio de colocar o projeto em prática acabou sendo muito marcante. Naquela época fazer o que fizemos era quase impossível. Quando eu falava que ia colocar computadores no palco as pessoas achavam que eu estava louco. Na época, eu e a banda resolvemos bancar a história. Mas aos poucos fomos conseguindo patrocinadores e conseguimos equipamentos de som e luz.

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Yamaha Musical: Você já declarou que gosta muito da sonoridade dos pianos da Yamaha, o que lhe chama a atenção nestes instrumentos?

César C. Mariano: Não é só questão de sonoridade. Meu jeito de tocar depende de um range do instrumento muito grande. Sinto que os pianos da Yamaha me obedecem. O som percutido dele sem o uso do pedal é único. Ele tem uma grande variedade de respostas seja no palco ou em estúdios. Alem do que, os principais clubes de Nova York e os grandes estúdios do mundo usam pianos Yamaha pela sua robustez.

Antes de usar mais assiduamente os acústicos da marca, usei um eletroacústico CP80 também da Yamaha que era o único da categoria que me dava esta dinâmica, que eu chamo de dicção.


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Yamaha Musical: Você acredita que estamos vivendo um colapso cultural em relação à música popular no Brasil?

César C. Mariano: Acredito que sim. Antigamente o que chamávamos de pop se não tinha muita diferença do que existe hoje em termos artísticos, tinha em relação à qualidade musical. Hoje as pessoas acreditam que não é necessário investir tempo na qualidade. Prioriza-se a quantidade e isso é altamente prejudicial para a cultura. Isto resulta num nivelamento por baixo da música popular. Não discuto gênero nem estilo, discuto qualidade. Como arranjador trabalho com artistas dos mais variados estilos, mas sempre buscando uma consciência em relação ao arranjo e linguagem.

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